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19.12.11

A Morte Saiu à Rua



Passa hoje o 50.º aniversário sobre a morte do artista plástico José Dias Coelho, assassinado pela PIDE numa rua de Lisboa.
Zeca dedicou esta música à sua memória.

15.12.11

Fernando Assis Pacheco


Jornalista e escritor, nasceu em Coimbra em 1 de Fevereiro de 1937. Morreu no dia 30 de Novembro de 1995 como gostariam de morrer muitos escritores: numa livraria. Foi na Bucholz, em Lisboa.

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Chula das Fogueiras

Amor amor meu big amor
eu dizia shazam e tu não me ligavas

pus Mandrake a seguir-te hábil nos truques
e tu não me ligavas

em qualquer planeta verde e avançadíssimo
tu não me ligavas

estendi o meu braço Homem de Borracha até S. Martinho do Bispo
e tu não me ligavas ponta nenhuma

tu querias era casar na Sé Nova
branquingénua abusar do meu livre alvedrio

fiz-te pois um manguito do tamanho dum choupo
e cá estou pai de filhos um bocado estragado

mas não por tua causa que já não existes
ó sombra de sombra à esquina da farmácia.

Fernando Assis Pacheco

18.11.11

Coimbra

afonso duarte
AFONSO DUARTE

Joaquim Afonso Fernandes Duarte nasceu em Ereira, Montemor-o-Velho, no dia 1 de Janeiro de 1884.
Licenciado em Ciências Físico-Naturais, foi professor primário em Coimbra, tendo sido afastado dessas funções por se opor à ditadura de Salazar. É então que se dedica à sua obra poética e à investigação pedagógica.
Foi colaborador das revistas A Águia, A Rajada, Contemporânea, Presença, Seara Nova e Vértice.
Morreu em Coimbra a 5 de Março de 1958.
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Coimbra

Descem do Outeiro as casas da cidade
Como rebanho de ovelhinhas brancas
Que viessem com sede até ao rio.
E, coleante cobra, vai subindo a encosta
Íngreme, a estrada, entre surribos verdes:
É lá o Vale do Inferno onde demora
A curva do caminho, e dá descanso
Múrmura fonte: e donde Coimbra – cidade
É habitável sonho de poetas.
E desço aonde? Aos laranjais das ínsuas,
Às margens dos salgueiros e dos choupos:
“Líricas de Camões” dão-me vigílias,
“Amantes rouxinóis” modulam sonho.

Olha: o Jardim, a Mata, e o par de namorados
Que deslaçam as mãos das verdes heras
Que cobrem os frondosos troncos seculares
Já quando te aproximas! Oh! noivas idades
Que procuram recantos entre as árvores
E as águas que murmuram! Pois os risos
Lavam e as lágrimas enxugam.
Rio acima, para o alto içando as velas,
Lá vêm da Foz as barcas dos serranos
Ajudando-as da margem com as sirgas:
E, num adeus que fica para sempre,
Que lindas, quando as leva o braço e o vento!
Afonso Duarte

4.11.11

Nunes Pereira

Nunes Pereira
Augusto Nunes Pereira nasceu a 3 de Dezembro de 1906, na Mata de Fajão, concelho de Pampilhosa da Serra. Filho de António Nunes Pereira e de Ana Gomes. Seu Pai, escultor santeiro, faleceu quando Augusto tinha, apenas, 9 anos. Foi o segundo de quatro filhos, cresceu e viveu a infância e a adolescência em contacto directo com a vida dura e agreste, mas sã e pura, das gentes da serra.
Entre 1919-1929 esteve no Seminário Maior de Coimbra. Nestes anos se forjou o padre, o artista, o jornalista e o estudioso que nunca mais deixaria de ser. Ordenado a 28 de Julho de 1929, exerceu o sacerdócio na paróquia de Montemor-o-Velho, onde permaneceu até 1935.
Em Coja (1935-1952), revelou-se a riqueza da personalidade de Nunes Pereira, estendendo-se a sua acção aos mais diversos domínios. A sua sensibilidade como artista e talento de artífice foram amplamente colocados ao serviço da Igreja como provam os altares, confessionários, pinturas a óleo da Igreja Matriz e frescos da sua autoria.
Nunes Pereira foi nomeado pároco de S. Bartolomeu (Coimbra) a 13 de Janeiro de 1952 e aí se manteve até se aposentar, em 1980. Colaborou no estudo de monumentos, na valorização do património arqueológico da Igreja de São Bartolomeu, no inventário cultural de Arte Sacra da diocese de Coimbra, e investigou sobre os túmulos e o púlpito de Santa Cruz.
De 1952 a 1974 foi chefe de redacção do "Correio de Coimbra", tendo realizado "muitas dezenas" de gravuras para este jornal.
Conciliou, sempre, o exercício do seu múnus pastoral com um crescente interesse pelo cultivo das artes, desde a poesia à escultura, passando pelo desenho, pela aguarela, pelo vitral e sobretudo pela xilogravura, especialidade que fez dele o melhor artista português da segunda metade do séc. XX naquela área.
Foi um dos fundadores do Movimento Artístico de Coimbra. Foi Sócio fundador da Sociedade Cooperativa de Gravadores de Portugal e sócio da Sociedade Nacional de Belas Artes. Deu um importante impulso ao coleccionismo popular e religioso.
Uma das obras mais notórias do seu talento foi a criação da Oficina-Museu do Seminário Maior de Coimbra, onde se encontra grande parte da sua obra artística, nomeadamente a colecção completa das gravuras em madeira dos Contos de Fajão.
Realizou várias exposições no país e no estrangeiro, e relacionou-se com vários mestres. Este seu contacto com outros artistas e a exposição frequente das suas obras fizeram-no sair do anonimato, tornando-se a sua arte conhecida e admirada não só na cidade mas por todo o país e, mesmo, além fronteiras.
Em 1977, em reconhecimento do valor da sua obra, abre ao público, em Fajão, um museu que lhe é dedicado. Em 1986, a Câmara Municipal de Coimbra atribuiu-lhe a medalha de Ouro da Cidade.
O génio e a arte aliaram-se no grande homem, padre e artista que foi Augusto Nunes Pereira, para produzirem abundantes e saborosos frutos e para deliciarem os interessados e apaixonados pela beleza e pela arte.
Faleceu a 1 de Junho de 2001, com 94 anos.

8.10.11

Vasco Berardo

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Vasco Berardo nasceu em Coimbra em 1933. Autodidacta convicto, é difícil extrair do seu longo curriculum elementos que definam a sua obra por ser uma das mais extensas e variadas a nível nacional. Foram seus mestres José Contente, António Vitorino, Manuel Pereira e o arquitecto Fernandes. Fez a sua primeira exposição em 1951 com Os Novos de Coimbra. Colaborou com o C.A.P.C. e foi um dos fundadores do M.A.C..
Realizou até hoje exposições individuais e colectivas em todo o país e no estrangeiro. Destacou-se como medalhista contando hoje com cerca de 500 medalhas na sua vasta obra.
Escultura em bronze e madeira, cerâmica, azulejaria, pintura, tapeçaria, metais e obra gráfica fazem parte do seu mundo, da sua inovação e criatividade. O seu período Neo-Realista deixou uma marca profunda na cidade de Coimbra com o mural do velho Café Mandarim, hoje MacDonald's.

6.10.11

Prof. Linhares Furtado

linhares-furtado
Prémio Nacional Saúde 2011
O médico Linhares Furtado, responsável pelo primeiro transplante em Portugal, é o galardoado com o Prémio Nacional de Saúde 2011.
O prémio é atribuído pela sua “notabilíssima e duradoura contribuição para ganhos indiscutíveis de saúde” e para “o elevado prestígio internacional das instituições de saúde às quais prestou relevantes serviços. As condições em que realizou o primeiro transplante renal, no antigo edifício de S. Jerónimo, dos Hospitais da Universidade de Coimbra, transformaram-no numa lição de coragem e de heroísmo”, refere a DGS na nota de anúncio do Prémio Nacional de Saúde 2011.
Alexandre Linhares Furtado, 78 anos, natural dos Açores, licenciou-se pela Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra com média de 19 valores e doutorou-se pela mesma instituição.
A sua actividade profissional começou no serviço de urologia dos Hospitais da Universidade de Coimbra, já com o projecto de iniciar a transplantação renal em Portugal.
Em Junho de 1969 realizava no país a primeira transplantação renal, com colheita dos rins feita em dador vivo. Anos mais tarde, em 1980, Linhares Furtado e a sua equipa realizam a primeira colheita e transplantação de rins de um cadáver.
No domínio da transplantação hepática, destaca-se o programa de transplantação que ajudou a implementar, que esteve na origem da expansão de novas técnicas, a nível mundial.

20.9.11

Zeca Afonso



Autobiografia 
As minhas primeiras veleidades de cantor surgiram quando andava no 6º ano do liceu. As noites passava-as em deambulações secretas pela cidade, acompanhado de meia-dúzia de meliantes da minha idade, amantes inconsequentes da noite. Com uma guitarra e uma viola fazíamos a festa. Estávamos ainda longe do hieratismo triunfal das serenatas na Sé Velha diante de multidões atentas e respeitosas. O velho Flávio Rodrigues continuava a ser o «Mestre», venerado por um pequeno discipulado de guitarristas e acompanhadores que com ele se reuniam numa pequena casa do bairro de Celas onde acabou os seus dias minado por uma doença fatal. 
Do convívio com esse homem torturado ficou-me a recordação de uma instabilidade impotente e resignada ao peso das terríveis limitações materiais que acompanharam até ao fim o lento processo destruidor do nosso companheiro. 
Seguiu-se um período de promoção fadística em que acabaram por me colocar no palanque das estrelas de primeira grandeza. Outros acompanhadores (peritos e sisudos) e outras oportunidades em viagens promovidas pela Tuna e pelo Orfeon. São dessa época as minhas idas a África e as tournées através da província. Recordo-me de ter participado na inauguração de uma auto-maca, para os bombeiros voluntários de Pádua e de, por diversas vezes, ter dormido ao relento nos «pinhais do rei». 
Nestas andanças percorri as estradas do país esticando o polegar a quem passava sobre rodas, ou, mais afortunadamente, pagando com fados e canções a hospitalidade com que me recebiam em suas casas, pobres, ricos e fidalgos arruinados. 
Por motivos económicos fui forçado a deixar Coimbra antes de concluído o curso e a leccionar em colégios particulares. O contacto concreto com a situação profissional no sentido mais amplo foi-me pouco a pouco endurecendo. 
Em Coimbra as coisas mudavam lentamente. Novas remessas de estudantes, menos pitorescos mas mais conscientes do que os do meu tempo, mais devotados aos problemas que fatalmente surgiam num meio sufocado por tradição, as mais das vezes inútil, intentam, à semelhança do que já outras gerações haviam feito, romper declaradamente com o bafio, pôr de parte a quinquilharia passadista do velho romantismo do «Penedo», realizar ao nível associativo uma modernização da vida académica dentro dos limites a que os forçava o estreito meio geográfico em que viviam. 
Lá longe no Algarve, chegavam-me os ecos destes acontecimentos. Embora em doses insignificantes, e já um pouco tarde, tentei acertar o passo por esse ritmo coordenador de energias há muito desencadeadas, mas sem o sentido de oportunidade de que careciam para se converterem em acção positiva e fértil. 
Nessas pequenas descobertas adquiri a noção do tempo perdido, abominei a cidade onde a minha alegria de viver inutilmente estiolara ouvindo «tanger os bordões da viola», calcorreando ruas, frequentando as casas de prego, bebendo bicas nos cafés da baixa ou escutando, mais por imposição do que por prazer, as arengas dos teóricos da bola.
Nalgumas andanças por Lisboa tomei esporádico contacto com outros meios estudantis. Rapazes novos, dinâmicos, combativos, de pés bem assentes na terra, com os quais, embora de uma forma efémera, muito me foi dado a aprender. Ganhei amizades, rejuvenesci e sobretudo senti na carne a urgência de alguns problemas que até então mal tinham afectado a minha maneira de ser. 
Numa disposição de espírito muito diferente da que me levara a procurar fora de Coimbra uma largueza de horizontes que a cidade me negara, renovei um pouco o meu conhecimento dos homens e dos lugares. O Algarve foi por então a minha pátria adoptiva. Nos sapais da ria de Faro e nos areias do sotavento algarvio passava eu as melhores horas do dia junto do barco simbólico que o António Barahona salvara do esquecimento e da decomposição. 
Só muito acidentalmente cantei. Em casamentos, baptizados, convívios efémeros, que sei eu? Como de resto sempre o tinha feito. As baladas surgiram como um produto anónino desse conjunto de circunstâncias, mas, também, com o tempo, sempre um interlocutor forçoso contava comigo. Mais do que simples forma musical vagamente lúdica ou combativa definiam uma atmosfera pré-existente nas coisas presentes e passadas. Nada mais do que um folclore de segunda ordem pronto a servir. 
O Rui Pato ajudou-me nas situações de maior responsabilidade perante públicos mais exigentes ou nas gravações. Comecei por cantar o que me vinha à cabeça, nas praias do sul ou em curtas deambulações por terras de província onde ampliei, fora do ambiente universitário, as minhas experiências mais duradoiras.
A mais recente pausa da minha vida veio cortar de forma imprevista as esperanças dum recomeçar.
Sem saber como, apesar das inevitáveis demoras burocráticas achei-me em Lourenço Marques com um lugar de professor. Mais umas baladas (as últimas) e uma transferência para a Beira. Novo lapso e uma última oportunidade que me veio através do TAB (Teatro dos Amadores da Beira). Cardoso dos Santos empenhava-se num prazo mínimo de tempo em preparar a encenação de “A excepção e a regra” de Bertold Brecht. Faltava musicar e adaptar as canções que figuravam na tradução de Francisco Rebêlo. Assim fiz. Depois disto a mudez ou a decadência. Não sei bem. 
Cidade da Beira 1967

26.8.11

Joaquim Namorado

Joaquim Namorado, poeta

Metam o burro na gaiola
de doiradas grades
e tratem-no a alpista
se quiserem
- é só um despropósito
Mas esperar dele o trinar
Do canário melodioso
É simplesmente tolo

Joaquim Namorado

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Joaquim Namorado nasceu em 1914, em Alter do Chão, e faleceu em Coimbra no ano de 1986.
Licenciou-se em Ciências Matemáticas pela Universidade de Coimbra, dedicando-se ao ensino. Exerceu durante dezenas de anos o professorado no ensino particular, já que o ensino oficial, durante o fascismo, lhe esteve vedado.
Depois do 25 de Abril, ingressou no quadro de professores da secção de Matemática da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra.
Sendo um dos iniciadores e teóricos do movimento neo-realista, colaborou nos Cadernos da Juventude, nas revistas Altitude, Seara Nova, Vértice, nos jornais O Diabo e Sol Nascente e editou na colectânea de poesia Novo Cancioneiro a sua primeira obra poética, Aviso à Navegação.
Quando director da Revista de cultura e arte Vértice, ficou célebre o episódio da publicação de pensamentos de Karl Marx, mas assinados com o pseudónimo Carlos Marques. Um dia, apareceu na redacção um agente da PIDE a intimidar: “Ó Senhor Doutor Joaquim Namorado, avise o Carlos Marques para ter cuidadinho, que nós já estamos de olho nele”...
Foi um apaixonado pela Figueira da Foz onde teve uma modesta residência na vertente sul da Serra da Boa Viagem.
Em Janeiro de 1983, por iniciativa do jornal Barca Nova, a Figueira prestou-lhe uma significativa homenagem, que constituiu um acontecimento nacional de relevante envergadura, onde participaram grandes vultos da cultura e da democracia portuguesa. Em sequência disso, a Câmara Municipal da Figueira instituiu o “Prémio do Conto Joaquim Namorado”, um prémio literário, que alcançou grande prestígio a nível nacional. Santana Lopes, quando passou pela Figueira, como Presidente de Câmara, decidiu acabar com ele.



Bibliografia: Aviso à Navegação; Incomodidade; Poesia Necessária; Obras, Ensaios e Críticas - Uma Poética da Cultura; Prefácio a Ferreira, Manuel - Voz de Prisão; A Guerra Civil Espanhola na Poesia Portuguesa.

18.8.11

Prof. Dr. Manuel Andrade

MAndrade

11/12/1899
19/12/1958


Licenciado pela faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, em 1922, com a mais alta classificação dada a um aluno - 19 valores, Manuel Andrade era dotado de uma inteligência invulgar.
Em 1923 foi nomeado assistente na mesma faculdade e doutorou-se no ano seguinte com a classificação máxima de 20 valores.
Nomeado professor catedrático no ano de 1932, tornou-se num enorme vulto da jurisprudência portuguesa e a sua fama correu o país inteiro.
Além de professor foi um doutrinador em Direito e por variadíssimas revistas jurídicas deixou o seu apreciável trabalho literário. Escreveu também "Ensaios sobre a Interpretação das Leis" e "Teoria Geral da Relação Jurídica".
Era tido como o maior civilista da Península Ibérica e, também, um dos maiores jurisconsultos portugueses de todos os tempos.

12.8.11

Torga

m torga

Começo

Magoei os pés no chão onde nasci.
Cilícios de raivosa hostilidade
Abriram golpes na fragilidade
De criatura
Que não pude deixar de ser um dia.
Com lágrimas de pasmo e de amargura
Paguei à terra o pão que lhe pedia.

Comprei a consciência de que sou
Homem de trocas com a natureza.
Fera sentada à mesa
Depois de ter escoado o coração
Na incerteza
De comer o suor que semeou,
Varejou,
E, dobrada de lírica tristeza,
Carregou.

Miguel Torga

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A Casa-Museu Miguel Torga assinala o aniversário do nascimento do poeta - 12 de Agosto de 1907 - com um programa de realizações que decorre até ao final de Setembro.
A 7 de Setembro está previsto o lançamento do livro “Miguel Torga – O Poeta Pintor”, de Maria Fernanda do Amaral Soares e, no dia 16, Maria Alzira Seixo, catedrática da Universidade de Lisboa, profere a palestra “O Douro de Miguel Torga”.
Uma visita cultural a São Martinho de Anta, com homenagem do Município de Coimbra através do descerramento de uma lápide, é a iniciativa prevista para 30 de Setembro.

2.8.11

Zeca

Zeca afonso.


Coro da Primavera

Recordamos aqui Zeca Afonso na passagem do 82.º aniversário do seu nascimento

23.7.11

Carlos Paredes



1923 - 2004
“E foi aí que entrou no palco Carlos Paredes: enorme, desajeitado, com o seu eterno sorriso tímido de quem pede desculpa por existir. Sentou-se, aconchegou a guitarra, agarrou-se à guitarra e a guitarra a ele, passaram a ser um corpo único, um só tronco de música e de raiva, de sonho e de melodia, de angústia e de esperança”. Era assim, Paredes, retratado por José Carlos de Vasconcelos.

18.5.11

Ruby Ann



Ana Catarina (Ruby Ann) em New York 
Nasceu em Coimbra onde estudou e viveu até há poucos anos. É um bom exemplo do sucesso dos portugueses no Mundo. Depois do seu êxito em Portugal, passou os últimos anos a trabalhar em França e nos EUA, onde reside, sendo presença assídua em importantes festivais de Rockabilly.
"Train To Satanville" é um trabalho de Ruby Ann que representa a sua afirmação internacional.

8.5.11

Flávio Rodrigues

Flávio Rodrigues, por Mário Rovira

Flávio Rodrigues retratado na pintura de Mário Rovira

1902-1950
Flávio Rodrigues da Silva
Foi um importante compositor português e executante de guitarra portuguesa, variante guitarra de Coimbra, cidade onde nasceu e sempre viveu, exercendo a profissão de barbeiro.
Foi determinante a sua influência no meio estudantil, no que toca à composição e execução de grandes guitarristas de Coimbra.
Foi autor de diversas obras onde se incluem “Variações em mi menor”, “Variações em ré menor” e valsas, com origem em temas do folclore da região: “Valsa em Fá”, “Valsa em Lá Menor”, “Valsa em Sol Maior”. Normalmente não utilizava 2.º guitarra e era acompanhado por duas violas.
Entre os cantores que acompanhou destacam-se Augusto Camacho e Fernando Rolim, enquanto que guitarristas como Abílio Moura e António Portugal se contam no número dos seus discípulos.
No ano do Centenário do seu nascimento foi homenageado em Coimbra num sarau que decorreu no auditório da Escola de Hotelaria e Turismo.

Augusto Hilário

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Augusto Hilário da Costa Neves nasceu em Viseu, em Janeiro de 1864. O registo de baptismo refere que foi exposto na Roda pelo pároco da Sé, com o nome de Lázaro Augusto. Ao receber o crisma em 26 de Maio de 1877, muda o nome para Augusto Hilário. As dúvidas sobre a sua filiação foram esclarecidas pela sua certidão de óbito que refere Augusto Hilário como filho legítimo de António Alves e de Ana de Jesus Mouta. Assim, Hilário terá sido fruto de uma relação extra matrimonial sendo por isso exposto na Roda e posteriormente reconhecido.
Frequentou o liceu de Viseu nos estudos preparatórios para a admissão à Faculdade de Filosofia, sem sucesso. Matriculou-se em Coimbra, mas também aqui os resultados não foram famosos.

Revela-se então um apaixonado pela boémia coimbrã, notabilizando-se como cantor de fado e executante de guitarra. Interpretou poemas de Guerra Junqueiro, António Nobre, Fausto Guedes Teixeira, para além dos que ele próprio criou.
Morreu na sua casa da Rua Nova, em Coimbra, contava então 32 anos. Frequentava o 3.º ano da Escola Médica da Universidade de Coimbra e era aspirante da Escola Naval.
Em 1967, D.ª Maria Alice Trindade de Figueiredo, em representação da sua família, entregou ao Museu Académico de Coimbra uma guitarra do seu tio-avô que lhe tinha sido oferecida pelo Ateneu Comercial de Lisboa quando ali cantou em 1895.