19.9.12

Boneca de Trapo

Luiz Goes

Luiz Goes


Boneca de trapo
Que vestes o sonho
De verde e encarnado
No dia medonho

Boneca de trapo
Na rua esquecida
Tu és o retrato
Da morte e da vida

Boneca de trapo
Que a lama apodrece
Caída no charco
Ninguém te conhece

Boneca de trapo
Da vida liberta
Só tu é que moras
Na rua deserta

18.9.12

Luiz Goes



Luiz Goes, falecido hoje, é uma das referências da Canção de Coimbra, em que se destacou como poeta, compositor e intérprete.

Luiz Goes que vivia há vários anos em Cascais, faleceu hoje, em Mafra, numa unidade de cuidados paliativos onde se encontrava internado, desde que o seu estado de saúde se agravou, em Maio último.
Filho de Luiz do Carmo Goes e Leopoldina da Soledade Valente d'Eça Eleya Cabral de Sousa Pires, nasceu a 05 de Janeiro de 1933, em Coimbra, no Calhabé, na rua dos Combatentes.
Da cidade do Mondego, Luiz Goes partiu para Lisboa, em 1959, pouco depois de terminar a licenciatura em Medicina e de casar.
A profissão de médico encantava-o pela vertente humanista. Na opção pela Medicina e na paixão pelo fado é determinante a influência exercida pelo tio Armando Goes, médico e extraordinário intérprete e compositor da canção de Coimbra.
Nos tempos de infância, frequentou aulas de solfejo, no Instituto de Música de Coimbra, com a professora Arminda Correia. No liceu, chegou a formar grupo com António Portugal, José Afonso, José Dias (tio do professor Amaral Dias) e Manuel da Costa Brás.
“A minha Coimbra não é só a dos estudantes, mas também a do seu povo, da sua história, da universidade da vida. Bebi estes valores e tenho sido, na vida como no fado, um produto disso mesmo” disse, em 2005, a uma jornalista do Jornal Campeão, a propósito de ter vivido intensamente a vida académica e a de futrica, os dois mundos que coabitavam na cidade do Mondego.
Nos tempos da faculdade, integrou o Orfeon Académico e o Teatro dos Estudantes da Universidade de Coimbra, levando uma vida de estudante, sem sobressaltos, mas com grande envolvimento na Academia.
O primeiro registo discográfico da sua carreira de cantor e autor – que iniciou tardiamente – surgiu em 1953, com o acompanhamento musical de António Portugal, António Pinho Brojo, Mário de Castro e Aurélio Reis.
Quatro anos mais tarde, com o grupo “Coimbra Quintet” grava em Madrid, no Teatro do Príncipe Real, um trabalho de referência na história da música coimbrã.
No total, a sua discografia seria materializada em quatro LPs, que gravou entre 1952 e 1983.
A reter, outra frase de Luiz Goes: “Sempre levei muito a sério esta coisa de cantar. Ainda hoje não sei o que é divertir-me quando tenho de cantar. Quando subo a um palco fico nervoso, não por medo mas porque levo o canto muito a sério. Não é uma actividade gratuita, é uma responsabilidade. A Canção de Coimbra é um bem cultural a ser preservado e respeitado”.
Membro Oficial da Ordem do Infante D. Henrique, medalha de Ouro da Cidade de Coimbra, medalha de Mérito Cultural do Município de Cascais e sócio honorário do Orfeon Académico, entre outras muitas distinções, Luiz Goes defendia que a Canção de Coimbra devia ser sempre, como o foi no passado, “o retrato do tempo em que se vive, sem ferir a sua essência intemporal”. 

17.9.12

Vira de Coimbra


Orquestra Típica e Rancho
A orquestra Típica e Rancho (OTR) da secção de Fado da Associação Académica de Coimbra (SF/AAC) é um grupo composto por estudantes universitários que pretende representar e defender o folclore da região de Coimbra. Este grupo, que nasceu em Maio de 1981, elaborou na região uma recolha cuidada dos trajes típicos da época. Para além dos grandes símbolos da zona, a tricana e o estudante, também constam trajes de trabalho, o caso da lavadeira e aguadeira, e de festa como é o exemplo dos noivos e das romarias pobre e rica.

16.9.12

Coimbra Menos


Calhabé - Alto S. João
Esta gigantesca estrutura metálica, parte duma construção inacabada há vários anos, ameaça vir a perpetuar a sua presença na circular externa, ao Calhabé.

15.9.12

15 de Setembro


O POVO UNIDO JAMAIS SERÁ VENCIDO
Coimbra assistiu hoje ao civilizado protesto de mais de vinte mil cidadãos, descontentes com as políticas seguidas pelos seus governantes. Terá sido a maior manifestação realizada em Coimbra depois do 1.º de Maio de 1974.
Uma enorme torrente de gente de todos as matizes, da esquerda e da direita, novos e velhos, estudantes e operários, pobres e ricos, desfilou pela cidade e, em uníssono, gritou a sua revolta, o seu desencanto e a sua desesperança pelo futuro do país, não se conformando com a política do empobrecimento.

14.9.12

Reflexão

Um dia vieram e levaram o meu vizinho que era judeu.
Como não sou judeu, não me incomodei.

No dia seguinte, vieram e levaram outro vizinho que era comunista.
Como não sou comunista, não me incomodei.

No terceiro dia, vieram e levaram o meu vizinho que era católico.
Como não sou católico, não me incomodei.

No quarto dia, vieram e levaram-me.
Já não havia mais ninguém para reclamar…

Martin Niemöllet
1933

12.9.12

O Cavaleiro e o Anjo


"Cantares do Andarilho" 1968

Passos da noite
Ao romper do dia
Quantos se ouviram
Marchando a par
Batem à porta
Da hospedaria
Se for o vento
Manda-o entrar

Vejo uma espada
De sombra esguia
Se for o vento
Que venha só
Quem está lá fora
Traz companhia
Botas cardadas
Levantam pó

Venho de longe
Sem luz nem guia
Sou estrangeiro
Não sou ninguém
Na flor queimada
Na cinza fria
Nunca se passa
Uma noite bem

Foge estrangeiro
Da morte escura
Pega nas armas
Vem batalhar
E enquanto a lua
Não se habitua
Dorme ao relento
Até eu voltar

Há muito tempo
Que te não via
(Um anjo negro
Me vem tentar)
Batem à porta
Da hospedaria
É aqui mesmo
Que eu vou ficar