31.8.11

Santa Clara-a-Velha



Um curioso exemplar de experimentação portuguesa do gótico é o Convento de Santa Clara de Coimbra, melhor conhecido por Mosteiro de Santa Clara-a-Velha. A fundação é posterior a 1286, mas só com o auxílio de D. Isabel de Aragão, as obras do edifício actual tiveram início. Devido ao alagamento provocado pelas cheias do Rio Mondego, o mosteiro ficou parcialmente soterrado e foi abandonado.
Em 1991 foi iniciado um ambicioso projecto de recuperação e valorização.
O mosteiro volta a abrir ao público a 18 de Abril de 2009, com um novo centro interpretativo.
Este novo centro consiste num edifício de mil metros quadrados, com funções museológicas, dotado de um auditório, salas de exposições, uma loja e uma cafetaria.

30.8.11

Cerâmica de Coimbra

Faiança de Coimbra

Garrafa pintada à mão, cópia daquela que se encontra exposta no Museu Nacional Machado de Castro. Está datada do início do século XVII.
Os brasões são motivos que caracterizam a louça de Coimbra dando-lhe um aspecto nobre e único. A garrafa reproduz o brasão da Rainha Santa Isabel.

29.8.11

Tarde de Serenata


Paulo Soares

Guitarra no Palácio de São Marcos
Tema: Tarde de Serenata (Paulo Soares)
Guitarra, Som: Paulo Soares
Imagem: Eduardo Esteves
Realização: Paulo Soares / Eduardo Esteves

28.8.11

O Amor e o Tempo

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António Feijó

Pela montanha alcantilada
Todos quatro em alegre companhia,
O Amor, o Tempo, a minha Amada
E eu subíamos um dia.

Da minha Amada no gentil semblante
Já se viam indícios de cansaço;
O Amor passava-nos adiante
E o Tempo acelerava o passo.

— «Amor! Amor! mais devagar!
Não corras tanto assim, que tão ligeira
Não pode com certeza caminhar
A minha doce companheira!»

Súbito, o Amor e o Tempo, combinados,
Abrem as asas trémulas ao vento...
— «Porque voais assim tão apressados?
Onde vos dirigis?» — Nesse momento,

Volta-se o Amor e diz com azedume:
— «Tende paciência, amigos meus!
Eu sempre tive este costume
De fugir com o Tempo... Adeus! Adeus!


António Feijó

27.8.11

Exploratório



Centro de Ciência Viva de Coimbra

O Exploratório Infante D. Henrique, primeiro centro interactivo de Ciência em Portugal, foi constituído em 1995 como associação sem fins lucrativos. Tem a Universidade de Coimbra e a sua Faculdade de Ciências e Tecnologia como principais associados fundadores e a Casa Municipal da Cultura de Coimbra como anfitriã.
Nasceu da iniciativa do Estado de criação de centros de iniciação à ciência, dirigidos à população em geral, nos anos 90.
Em 1998, foi integrado na rede de Centros Ciência Viva, como centro pluridisciplinar, e em 2000 obteve o reconhecimento de utilidade pública.
Em 2009, passou a dispor de um edifício próprio, no Parque Verde do Mondego, com uma exposição principal dedicada às relações entre as ciências básicas e a saúde.

26.8.11

Joaquim Namorado

Joaquim Namorado, poeta

Metam o burro na gaiola
de doiradas grades
e tratem-no a alpista
se quiserem
- é só um despropósito
Mas esperar dele o trinar
Do canário melodioso
É simplesmente tolo

Joaquim Namorado

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Joaquim Namorado nasceu em 1914, em Alter do Chão, e faleceu em Coimbra no ano de 1986.
Licenciou-se em Ciências Matemáticas pela Universidade de Coimbra, dedicando-se ao ensino. Exerceu durante dezenas de anos o professorado no ensino particular, já que o ensino oficial, durante o fascismo, lhe esteve vedado.
Depois do 25 de Abril, ingressou no quadro de professores da secção de Matemática da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra.
Sendo um dos iniciadores e teóricos do movimento neo-realista, colaborou nos Cadernos da Juventude, nas revistas Altitude, Seara Nova, Vértice, nos jornais O Diabo e Sol Nascente e editou na colectânea de poesia Novo Cancioneiro a sua primeira obra poética, Aviso à Navegação.
Quando director da Revista de cultura e arte Vértice, ficou célebre o episódio da publicação de pensamentos de Karl Marx, mas assinados com o pseudónimo Carlos Marques. Um dia, apareceu na redacção um agente da PIDE a intimidar: “Ó Senhor Doutor Joaquim Namorado, avise o Carlos Marques para ter cuidadinho, que nós já estamos de olho nele”...
Foi um apaixonado pela Figueira da Foz onde teve uma modesta residência na vertente sul da Serra da Boa Viagem.
Em Janeiro de 1983, por iniciativa do jornal Barca Nova, a Figueira prestou-lhe uma significativa homenagem, que constituiu um acontecimento nacional de relevante envergadura, onde participaram grandes vultos da cultura e da democracia portuguesa. Em sequência disso, a Câmara Municipal da Figueira instituiu o “Prémio do Conto Joaquim Namorado”, um prémio literário, que alcançou grande prestígio a nível nacional. Santana Lopes, quando passou pela Figueira, como Presidente de Câmara, decidiu acabar com ele.



Bibliografia: Aviso à Navegação; Incomodidade; Poesia Necessária; Obras, Ensaios e Críticas - Uma Poética da Cultura; Prefácio a Ferreira, Manuel - Voz de Prisão; A Guerra Civil Espanhola na Poesia Portuguesa.

25.8.11

Balada do Encantamento

Manuel Branquinho



Um trabalho da autoria de José Pais de Almeida e Silva, dedicado à cidade de Leiria, com interpretação de Manuel Branquinho.

24.8.11

Futricas

futrica

Fernando Assis Pacheco
no livro 
"Trabalhos e Paixões de Benito Prada"


Benito Prada é um galego de Ourense que veio ganhar a vida para Coimbra, estabelecendo-se com uma loja de fazendas nas Escadas de São Tiago.
...O seu estatuto de pequeno comerciante, agravado pela curta experiência na mestra de Ventosela, fazia dele um futrica, ou seja não-escolar, com o acesso gravemente condicionado ao círculo da ilustração.
Neste, se é permitido o excurso, cabiam os licenciados pelas várias faculdades, os estudantes, os sacerdotes e bem assim os militares a partir de oficial subalterno. No entanto podia ser cooptado um simples funcionário público ou, com liberalidade talvez excessiva, mesmo um empregado de balcão ou similar - o que se usava menos - desde que tivesse feito um ou dois anos de liceu e as tertúlias dos cafés, rubicões severos, resolvessem admiti-lo. Dava-se também o caso de alguém bem posicionado nas câmaras do saber arrastar à soga um próximo parente sem grandes estudos nem dinheiro sonante; esse, depois de analisado pelo júri da cidade letrada, se passasse com aproveitamento todos os graus de iniciação e ajustasse o nó da gravata ao modelo em voga, era recebido como igual pelos ilustrados.
Um bom apelido, melhor ainda se dobrado, tornava mais fácil esta operação, dada a sensibilidade do burgo à componente aristocrática. Aliás os aristocratas, na sua maior parte já sem bens de raiz e muitos deles roçando a pobreza envergonhada, vivendo a glória postiça de terem um avô citado, ainda que sob o estigma da bastardia, num cronicão dos frades crúzios, eram como universitários congénitos.
Ao lado, e bem entendido por cima, estavam os titulares das grandes fortunas, que o lente Maia Júnior exemplificava, mas não de todo, dado ser mestre laureado de Propedêutica Médica e não necessitar de mais atributos para declarar-se, como era, um excelso doutor. O benfeitor da Giraldiya não queria saber destas minudências, tendo até um dito para sacudir a prosápia dos ilustrados: "Posso bem com a Universidade, as baratas das estantes é que me enervam."
Livrava-se igualmente do entediante xadrez político da época tal e qual se livrara o pai, fechando o portão na cara aos chefes dos partidos com a desculpa das eleições fazerem perder as amizades. Politica e ilustração eram mundos concêntricos no mapa da I República.
Os estudantes pesavam desde há séculos na vida de Coimbra. Benito Prada gastou ainda mais tempo a interpretar esse aparente mistério, que suportava com náusea nos dias de festa. Achava má educação que eles trouxessem para a rua os trastes velhos e toda a sorte de latas vazias, com que organizavam cortejos de um pretenso humor insuportável.
"Insuportável para si", discordou Jorge Ourives um sábado em que os festejos desaguaram nas Escadas de São Tiago. "Estão na idade de fazer estas coisas, e se averiguar um a um, são quase todos rapazinhos da província, criados em meio pequeno, chegam cá e julgam-se uns cães galgos. Só os ensinam mal num ponto: a detestar os futricas."
"Há um particular que você não sabe", disse então o galego. "Futrica também se usa na minha terra entre os afiadores, significa coisa sem valor. Se eu adivinhasse que era este desterro tinha pensado duas vezes."
"Antes de vir? Mas veio, e quer deitar raízes em Coimbra. Vingue-se, homem, vingue-se com a ferramenta que tem: faça um filho e mande-o tirar o curso mais caro da Universidade, e se não for suficiente faça-o reitor, faça-o administrador do concelho, faça-o ministro, ou como o Sidónio diz, secretário de Estado".
Benito estava em brasa:
"Olhe-me aquele rexelo a molhar as pessoas com o regador!"
"Pois não devia, não senhor" disse o ourives imperturbável, "mas quem sabe se do rexelo não vai sair um martinho. Ou o futuro cardeal patriarca."
O galego pretendia à viva força bater no engraçado. Viajara os seus anos jovens com uma carroça, um mulo e uma bolsa de dinheiro atada à cinta por dentro das calças, disfarçada com o colete; refreara até à indecência os motivos de diversão, e mesmo Do Céu não tinha sido mais do que um acaso proporcionado pelo Grego. O ourives apartou-o:
"Deixe regar o rapaz, que é para a gente ver se cresce!"
Semanas depois, sem o confessar, achou uma graça supina a outra festa em que os estudantes queimaram as fitas de seda com as cores das faculdades num penico de esmalte, embebedando-se exaltadamente. Populares juntaram-se ao grupo e capitanearam a música. Havia um coxo com uma viola braguesa e uma mulher de preto que cantava os fados de César Magliano, bonitos de chorar. Benito trauteou uma muiñeira do San Bartolomé mas ninguém sabia o acompanhamento.