25.10.15

Não



Não 

Nenhum poder
há-de calar
o murmúrio das águas
das nascentes
o cântico dos pássaros
voantes 
o uivar dos lobos 
carecentes
e os sons da natureza
delirantes.

Nenhum poder
há-de impedir
da maresia, o cheiro    
penetrante
o brilho do sol
incandescente
a aragem dos ventos
do levante
e as gotas da chuva
na torrente.

Nenhum poder
há-de matar
um sonho de criança
a pulular
o desejo nos jovens
de aprender
o direito no homem
de pensar
da suprema liberdade
o que escolher.


(pm)

7.10.15

Nuvens



Nuvens

Capacetes de chumbo
cobrem os céus
de águas mil.
São véus
que escondem utopias
folgares, alegrias
e nos roubam o calor
do Sol de Abril.

As águas límpidas
turvaram e prenharam
os rios da incerteza.
São lágrimas
que regam prostração
dor, humilhação
sulcando os rostos
da fome e da pobreza.

Botas cardadas
marcam o compasso
na terra dos cravos.
As agras de pão
são notas de contos
mercados, aprontos
de campos fecundos
p´ra novos escravos.

pm
Out2015